segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Silêncio

09 de Julho de 2009

Tudo está mudo.
Nem as preces, nem as lágrimas, é como um presságio mudo do porvir, do devir ou daquilo que já foi.
Ouço ao longe na copa das árvores, o rumor dos pássaros em suas conversas com seus iguais, nos parecem alegres, sons melódicos sem dor e sem tristeza.
O grasnar da caturrita que parece chamar; "Mãeee..."
Os cães que ladram agoniados em suas coleiras, presos pelos muros e cercas, como que pressentindo ou tendo o faro, das diabretes que se aproximam fazendo currupios no ar, levando as folhas e os lixos que se amontoam nas ruas parecerem pequenos pés de vento.

Isso me lembra Castaneda e seus contos bizarros sobre bruxos e xamas do México indígena, ou coisa parecida.
Penso as vezes que somos mesmo, matéria sintética de Deus. Tipo holograma talvez. Diz que viemos do pó e para o pó retornaremos, logo me parece ser sensato imaginar que somo tal qual bonequinhos de argila, bits, massa de modelar... nas mãos de Deus.
Nada em nossa vida, em certos momentos, parece real, ou ter algum valor. Basta um olhar, palavra, gesto para que tudo se desfaça em confusão, mal entendidos, cobranças... a vida, nossa, só é real pra nós mesmos. Nosso interior, nosso intimo, um mundo solitário.
Só o silencio, o vazio, o nada.
A voz que fala comigo vem da TV e nem sabe que existo. O filme que assisto, e me toca nos sentimentos profundos de amor, dor e saudade - é fictício. Não existe.
Dizem ou disseram, esta lá na Bíblia: "Bata e a porta se abrirá, peça e obtereis." E que preces nunca ficam sem resposta. Tolice ou verdade?
Somos nada em meio ao Universo, fantoches nas mãos uns dos outros?
Sentimentos, medos, velhice, juventude, amor, dor, sonhos, vontades, saudades...
Silêncio!
Só silêncio, nem uma voz humana, amada, suave, boa e doce. Só silêncio.

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